Wednesday, September 05, 2007
Em despeito do amor profano
Mostra prudência sábia o que é minino,
Apresenta-se manso o que é tirano,
Aparece sagrado o que é profano,
Profanando porém o que é divino.
O siso quer fingir no desatino,
A verdade pintar no falso engano,
Disfarçar o proveito em nosso dano,
Matando o natural e o peregrino.
Imóvel se afigura o inconstante Amor,
porque de falsa cor se tinge
Para que nada dê, mas nada negue.
Tal este amor se mostra e finge ao amante,
Mas tal qual este amor se mostra e finge,
Tal fica quem o busca e quem o segue.
Baltesar Estaço (poeta do século XVI)
Apresenta-se manso o que é tirano,
Aparece sagrado o que é profano,
Profanando porém o que é divino.
O siso quer fingir no desatino,
A verdade pintar no falso engano,
Disfarçar o proveito em nosso dano,
Matando o natural e o peregrino.
Imóvel se afigura o inconstante Amor,
porque de falsa cor se tinge
Para que nada dê, mas nada negue.
Tal este amor se mostra e finge ao amante,
Mas tal qual este amor se mostra e finge,
Tal fica quem o busca e quem o segue.
Baltesar Estaço (poeta do século XVI)